segunda-feira, 21 de março de 2011

Doce Nostalgia...

"A saudade é um sentimento do coração que vem da sensibilidade e não da razão."
(
Dom Duarte)




Manhã serena que se abre para um novo dia, pássaros a gorjear, o ar estava um pouco frio, perfumado, aconchegante. Os primeiros raios de sol adentram pelas frestas da janela. Os movimentos graciosos das folhas ao vento faziam com que as cores do dia mudassem de cobalto. Meus olhos queriam beber profundamente de toda beleza possível. Um dia perfeito, maravilhoso...para ficar deitada curtindo um pouco de preguiça, para saborear uma reminiscência que a memória conserva. 

Hoje senti algo diferente, um grande palpitar, como se faltasse um pedaço de mim, como se fosse um momento único para viver...ou...reviver. Prendi a respiração por segundos enquanto meu coração se aconchegava nas lembranças ora despertadas.
A linha tênue perde seu valor, misturando presente e passado.
Há no ar aquele cheirinho que remete lembrança, um déja vu de emoções, aquela SAUDADE de algo ou alguém, um momento, uma infinitude de sensações que incendeiam cabeça, corpo e coração, que escarnece e enaltece as vontades, que dissimula desejos e querer.

Háaa...doce nostalgia! Que vem não sei de onde, chega não sei por que. Rasga meu peito de inquietude, de um bem mais que querer. Como é bom sentir-te, és como um rio que deságua em mim, contigo trás alegrias de bons momentos vividos que iguais não passarei jamais, da unicidade de cada segundo que só tua presença pode me proporcionar. Como pode essa ausência não doer? E quem disse que saudade tem sempre que doer?
Há distantes tão perto e presentes tão distantes que realidade se confunde com vontade.
Às vezes só a simples lembrança é capaz de preencher.
Lágrimas que rolam de amor, carinho e sem pudor deslizam por entre a calmaria da nostalgia.
A noite chega, e sob a luz do luar fico imaginando onde estás ô DOCE NOSTALGIA...vá com Deus, mas, não esqueça: 
volte logo a me visitar!

(Samyra Almeida)

*Fragmento de "Inefáveis Sentimentos" no Arte & Cultura.



5 comentários:

  1. Sam :)

    voce é para nós a Doce Alegria, aqueles que voce contagia com um brilho de Deus no coração, ninguem neste mundo é perfeito, algumas pessoas correm o risco de andar lá perto :), tem dias assim, em que parece que nada temos, tudo nos falta, e ficamos refugiados nas lembranças ou em vontades antigas, mas se é doce, ainda é bom :)!

    Beijo menina especial

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  2. Querida,Sam!

    Que coisa linda!!!

    Lembranças do sorriso,do cheiro e da pela sempre nos proporcionando uma doce nostalgia!

    Das coisas,do algodão doce,café da tarde feito por nossas mães.

    Cheiro de livro novo...Tudo isso é nostalgia...Doce nostalgia

    Lindooo!

    Amei...

    Beijos

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  3. Trancar o dedo numa porta dói.
    Bater com o queixo no chão dói.
    Torcer o tornozelo dói.
    Um tapa, um soco, um pontapé doem.
    Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.
    Mas o que mais dói é a saudade.
    Saudade de um irmão que mora longe.
    Saudade de uma cachoeira da infância.
    Saudade de um filho que estuda fora.
    Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.
    Saudade do pai que morreu,
    Do amigo imaginário que nunca existiu.
    Saudade de uma cidade.
    Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
    Doem essas saudades todas.
    Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.
    Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
    Saudade da presença, e até da ausência consentida.
    Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá.
    Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde.
    Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
    Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
    Saudade é basicamente não saber.
    Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio.
    Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
    Não saber se ela ainda usa aquela saia.
    Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu.
    Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada;
    se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco de melancia; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald’s; se ele continua amando;
    se ela continua a chorar até nas comédias.
    Saudade é não saber mesmo!
    Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
    não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
    Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer.
    É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos.
    É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela.
    Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer…
    Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo
    agora depois que acabou de ler.
    (Miguel Falabela)

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  4. Lindo d+ amiga. Parabéns!
    saudades...

    bjo!

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  5. Ja havia me apaixonado antes de estar aqui lendo essa nostalgia. Plantou uma semente de vontade de visita-la sempre. Fazer parte da nostalgia do outro...independente do motivo, mas por ser bom ...é revigorante.

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